Toolsworld 22 march 2017

Segundo Lessandro Thomaz, os recursos disponíveis chegam a R$ 7 bilhões, sendo 70% destinados a material de construção (foto: Marzul Estumano)

O superintendente nacional de Estratégia de Produtos Pessoa Física da Caixa Econômica Federal (CEF), Lessandro Werner Thomaz, anunciou a redução dos juros cobrados no Construcard, linha de crédito da instituição para compra de material de construção e reforma de imóveis. A decisão foi comunicada aos integrantes da Câmara Brasileira de Materiais de Construção (CBMC) na última terça-feira (14/3), em reunião em Brasília, na sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O índice está em fase de definição. Thomaz adiantou, contudo, que ficará abaixo de 2% e entrará em vigor no final deste mês. Os recursos disponíveis na carteira neste ano chegam a R$ 7 bilhões, sendo 70% destinados a material de construção e o restante para mão de obra.

Ainda na reunião, a gerente Nacional do Construcard, Maria Fernandes Neres Senna, explicou que a operação continuará sendo feita mediante o uso de cartão magnético em 85 mil lojas credenciadas pela Caixa em todo o País. O prazo de pagamento é em até 240 meses.

Em sua palestra, Lessandro Thomaz fez detalhada apresentação da evolução do produto e os benefícios que trouxe para o mercado. Destacou como um dos principais avanços a adoção do cartão com chipe, que elevou a segurança. Desde o ano passado, não houve mais fraudes. Adiantou que a Caixa estuda a ampliação de bandeiras de cartão de crédito recebido, hoje restrito a uma única operadora.

O coordenador da CBMC, Claudio Conz, elogiou as iniciativas da CEF. Ele, que também preside a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), disse que a redução dos juros do Construcard vai gerar mais negócios para o setor. Considerou também positivas as decisões de destinar 30% dos recursos do cartão para mão de obra e ampliar o leque de bandeiras de cartão de crédito, “o que facilitará a vida dos empresários”.

Cursos do Senac

O assessor de Relações Institucionais do Departamento Nacional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Antonio Henrique Borges Paula, informou que a instituição redirecionou seu planejamento estratégico criando soluções educacionais para o segmento produtivo, equalizando com o atendimento que vinha fazendo para o setor público. Conforme revelou, a entidade preparou quatro cursos específicos para atender lojistas de material de construção.

Os cursos serão integralmente gratuitos. O foco serão as áreas de vendas, técnicas de liderança, gerenciamento de lojas e processos logísticos de estoque e compras. “É muito importante o comprometimento do Senac de compartilhar conhecimento com a rede varejista por meio dos seus cursos focados no interesse de cada segmento. Essa iniciativa vai melhorar o volume de vendas e a competitividade das empresas que aderirem ao programa, o que significa mais negócios”, observou Conz.

Cartão Reforma

Último palestrante da reunião, Álvaro César Lourenço, diretor do Departamento de Melhoria Habitacional da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, falou sobre o Cartão Reforma. Trata-se de um subsídio que o governo dará a cerca de 170 mil famílias com renda bruta de até R$ 1,8 mil para aquisição de materiais de construção destinados à reforma, à ampliação ou à conclusão de residência. A Medida Provisória (751/2016), que criou o programa, tramita no Senado.

Segundo Lourenço, a iniciativa visa combater o déficit habitacional qualitativo, com a liberação, em média, de R$ 5 mil. “Muitos programas foram criados para gerar habitações, mas muito pouco para reformas”, justificou. O Cartão Reforma é 100% subsidiado e caberá aos Estados e municípios fazer a seleção dos beneficiários. “Estamos falando de recursos entregues à população, não de empréstimo”, afirmou.

Após a aprovação no Congresso, a intenção do governo é liberar de forma parcelada, ainda neste ano, R$ 1 bilhão. Independentemente disso, os comerciantes interessados em participar do programa já podem se cadastrar via on-line. O diretor do ministério esclareceu que somente lojas de construção credenciadas pela Caixa (Construcard) poderão comercializar os materiais.

Reforma trabalhista

Os empresários e executivos discutiram ainda a proposta de reforma trabalhista encaminhada pelo governo ao Congresso na forma de projeto de lei. Claudio Conz afirmou que o setor produtivo anseia pela aprovação da reforma o mais rápido possível.

O assessor legislativo da CNC Reiner Leite lembrou que as confederações patronais já se manifestaram favoráveis à reforma, em audiência pública na Câmara dos Deputados na semana passada. Ele falou sobre as sugestões que estão sendo levadas ao relator para melhorar a proposta. Estão em debate, entre outros, o trabalho temporário, a permissão para que acordos coletivos negociados entre trabalhadores e empregadores possam se sobrepor à legislação, as férias parceladas e o trabalho com jornada parcial.

Normas para cartões de crédito

Finalmente, a assessora econômica da CNC Juliana Serapio explicou as implicações para o comércio com a entrada em vigor, no dia 3 de abril, as novas regras para os cartões de crédito. A intenção do Banco Central, segundo ela, é reduzir a inadimplência e evitar o superendividamento. Juliana destacou que a área Econômica da entidade permanecerá em contato com os setores de regulação do BC para acompanhar possíveis desdobramentos no assunto.

Toolsworld 26 january 2017

Segundo dados divulgados, nível de emprego passou de 36,8 pontos em novembro para 36 pontos em dezembro.

Brasília – A indústria da construção encerrou 2016 com queda na atividade e no emprego. De acordo com a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice que mede o nível da atividade caiu de 39,3 pontos em novembro para 37,9 pontos em dezembro.

Pela metodologia da pesquisa, números abaixo de 50 indicam queda. Em dezembro do ano passado, o índice estava em 33,3 pontos.

O nível de emprego passou de 36,8 pontos em novembro para 36 pontos em dezembro. No último mês de 2015, o número estava em 33 pontos.

Já o uso da capacidade instalada se manteve em 56% no último mês do ano passado – era 55% em 2015. “O porcentual está 6 pontos percentuais abaixo da média histórica para o mês de dezembro”, observa a pesquisa.

O indicador de satisfação com a situação financeira cresceu do terceiro para o quarto trimestre, passando de 35 pontos para 36 pontos. Os números continuam abaixo dos 50 pontos, o que sinaliza a insatisfação quanto a situação financeira da empresa.

O indicador de satisfação com a margem de lucro operacional caiu 0,6 ponto na mesma comparação, afastando-se ainda mais da linha divisória entre satisfeito e insatisfeito.

O indicador de satisfação com a margem de lucro operacional, por sua vez, caiu 0,6 pontos, indo de 32,3 para 31,7 pontos.

Por outro lado, os empresários estão menos pessimistas em relação aos próximos seis meses do que no início do ano passado.

O indicador que mede a perspectiva do nível de atividade passou de 37,7 pontos em dezembro de 2015 para 47,4 pontos no mês passado (era 44,2 em novembro). A intenção de investir também melhorou, passando de 25,9 pontos em novembro para 27,7 em dezembro – era 25 no fim de 2015.

Construção: nível da atividade caiu de 39,3 pontos em novembro para 37,9 pontos em dezembro (Paulo Fridman/Bloomberg).